"sedare dolorem divinum est"

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          O controle da dor física talvez seja o esforço mais importante e constante do homem na sua luta pela sobrevivência. A história dessa luta é impressionante, e a obtenção da vitória sobre a dor nos dias de hoje constitui o resultado de experiências desorientadoras e triunfos isolados. O homem registrou essa história. Para se compreender a forma pela qual se controla a dor e como se conseguiu a anestesia, torna-se necessário conhecer as contribuições feitas por muitos homens.
     Desde o princípio da sua história o homem tem buscado meios de aliviar os golpes da espada implacável  e às vezes mortal da dor. As primeiras tentativas de evitar a dor humana começaram com a utilização da papoula, mandrágora, meimendro e álcool. Denominava-se "esponja soporífera" a esponja impregnada com ópio, meimendro e mandrágora  utilizada por Hipócrates e Galeno. Sabe-se que os gregos já usavam a infusão de ervas e várias substâncias para provocar o sono, como narrou Homero na Odisséia. Na realidade, a análise desta composição mostrou que ela não fazia nem mesmo uma cobaia dormir. Podem-se imaginar os elementos mágicos e a charlatanice que se associavam à preparação dessas beberagens sedativas. É interessante imaginar os ingredientes empregados nessas infusões. A beberagem talvez incluísse o lótus, que legava o sono do esquecimento aos navegantes da Odisséia. Talvez o lótus a que se refere a Odisséia fosse a fruta da jujuba africana ou da urtiga do sul da Europa.
     A anestesia por estrangulamento até atingir-se a inconsciência foi praticada na Itália inclusive até o século XVII. Outro método exótico de anestesia foi a concussão cerebral, que se obtinha colocando-se sobre a cabeça do paciente uma tigela de madeira, a qual se golpeava até que o paciente perdia a consciência. Durante vários séculos se empregaram preparados alcoólicos antes das cirurgias, luxações e redução de fraturas. A bebida favorita era o vinho. O alívio real da dor só era alcançado com ingestão de grande quantidade da substância. Foi bastante popular nos séculos XVIII e XIX.
     Para o alívio da dor também se usou a aplicação do frio intenso ou compressão de raízes nervosas.   Em fins do século XVIII o trabalho de muitos pesquisadores orientava-se para o estudo da  química dos gazes. Em 1818 Michael Faraday descreveu os efeitos estupefacientes do éter.
    Aos 16 de outubro de 1846, no anfiteatro do Massachusetts General Hospital, em Boston, USA, Willian T. G. Morton fez a primeira demonstração pública dos efeitos do uso do éter, numa cirurgia importante.  A descoberta da anestesia cirúrgica constitui uma contribuição norte-americana, e é considerada a maior contribuição que os Estados Unidos já fizeram à medicina.
                                                 
          Bibliografia:
                                 
1) Collins V. J.: Principles of Anesthesiology, 2nd ed., Philadelphia-USA,  Lea & Febiger, 1976.
                                 2) Dripps R. D.: Eckenhoff J,E.; Vandam L.D.: Teoría y Prática de Anestesia, 4ª ed., México, Interamericana, 1975.

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